
O que era para ser uma tentativa de reconciliação entre as facções de líderes evangélicos da cidade se transformou em um vergonhoso campo de batalha, expondo uma ferida profunda na liderança da igreja local.
Volta Redonda (RJ) – A crise de representatividade evangélica em Volta Redonda, que o Vitrine Gospel já vinha acompanhando, escalou da guerra de “lives” para a violência física. Na noite desta segunda-feira, uma reunião de emergência convocada para tentar “aparar as arestas” entre o antigo Conselho de Pastores (COMEVR) e a recém-criada Aliança de Ministros (AME-VR) terminou em caos generalizado, com gritos, acusações graves e socos.
O encontro, realizado a portas fechadas em um salão de eventos da cidade, tinha como pauta a “unidade da igreja” e as acusações de aparelhamento político. No entanto, segundo fontes que estavam presentes, a reunião não durou 30 minutos antes de descambar para o caos.
A Estopim da Briga
Testemunhas relatam que os ânimos se exaltaram quando um líder da “velha guarda” do COMEVR acusou os pastores do novo grupo de serem “mercenários” e “meninos que querem tomar o poder”. Em resposta, um dos líderes da AME-VR teria se levantado e chamado o acusador de “coronel da fé” e “envergonhador do evangelho”.
A partir daí, a discussão perdeu o controle. Gritos tomaram conta do ambiente. “A discussão saiu do campo teológico e foi para o pessoal. Começaram a jogar na cara acusações sobre dinheiro, sobre quem tinha mais membros, sobre quem era ‘mais ungido'”, relatou um pastor que pediu para não ser identificado.
O escândalo atingiu seu ápice quando, após um xingamento mais grave, um pastor partiu para cima do outro. “Foi vergonhoso. Tiveram empurrões, um líder chegou a cair por cima das cadeiras. Outro revidou com um soco que acertou o ombro de um terceiro que tentava separar”, descreveu a fonte, visivelmente abalada.
Vídeos, Polícia e o “Mau Testemunho”
A confusão só foi contida porque funcionários do salão, assustados com a gritaria, chamaram a Polícia Militar. A chegada da viatura dispersou a briga, mas selou o escândalo.
Vídeos curtos, gravados secretamente de dentro da sala, já circulam em alta velocidade nos grupos de WhatsApp de pastores e membros de todo o Sul Fluminense. As imagens, que mostram homens — conhecidos por pregarem a paz em seus púlpitos — aos berros e em confronto físico, chocaram a comunidade.
O episódio é, talvez, o ponto mais baixo da história recente da igreja evangélica na “Cidade do Aço”. Mais do que uma disputa política ou teológica, a briga expõe uma crise moral e de vaidade que mancha o testemunho do Evangelho. O maior perdedor não é o COMEVR ou a AME-VR, mas a própria credibilidade da igreja perante uma cidade que assiste perplexa à guerra declarada entre seus líderes.



