
Homenagem ou Coincidência? Câmara do Rio Aprova ‘Dia do Patriota’ em Data Emblemática e Acende Polêmica
A política carioca, sempre fervilhante, acaba de ganhar mais um capítulo que promete dividir opiniões e dominar as conversas nos grupos de família e redes sociais. Em uma sessão marcada por ânimos exaltados, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou, em primeira discussão, a criação do “Dia do Patriota”. Mas não é o nome da data que está causando alvoroço, e sim a escolha do dia no calendário: 21 de março.
Para o observador desatento, pode parecer apenas mais uma data cívica. Contudo, para os conhecedores dos bastidores do poder e para os fiéis escudeiros da direita brasileira, a data carrega um simbolismo poderoso e inconfundível: é o aniversário do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
A Estratégia Silenciosa
O projeto de lei, de autoria do vereador Rogério Amorim (PL), tramitou inicialmente sem grandes holofotes. Na justificativa oficial apresentada no papel, não houve menção direta ao aniversário do “Capitão”. O texto foca na exaltação do patriotismo, dos símbolos nacionais e do amor à pátria. Essa “omissão estratégica” foi o estopim para um intenso bate-boca no plenário assim que a “coincidência” foi notada pela bancada de oposição.
A sessão, que deveria ser protocolar, transformou-se em um campo de batalha ideológico. De um lado, vereadores do PSOL e do PT acusaram o projeto de ser uma provocação velada e uma tentativa de institucionalizar o culto à personalidade de Bolsonaro no calendário oficial da segunda maior cidade do país. Do outro, a base aliada e os conservadores defenderam a proposta como uma justa homenagem aos valores que, segundo eles, foram resgatados nos últimos anos: Deus, Pátria, Família e Liberdade.
O Que Significa Para o Público Gospel e Conservador?
Para a base evangélica e conservadora, a aprovação (ainda que pendente de uma segunda votação) soa como uma vitória moral. Em um tempo onde muitos sentem que seus símbolos e líderes são perseguidos, ter um dia oficial — que sutilmente celebra o maior expoente da direita nacional — é visto como um ato de resistência cultural.
Não é a primeira vez que o termo “Dia do Patriota” tenta entrar no calendário brasileiro. Recentemente, uma tentativa similar em Porto Alegre (marcada para o polêmico 8 de janeiro) foi derrubada após intervenção judicial. A versão carioca, contudo, é mais astuta: ao vincular-se a uma data de nascimento e não a um evento político conturbado, torna-se juridicamente mais defensável e politicamente mais simbólica.
Próximos Passos: A Batalha Final
A guerra ainda não está vencida. O projeto precisa passar por uma segunda votação no plenário e, posteriormente, enfrentar a caneta do prefeito Eduardo Paes, que terá o poder de sancionar ou vetar a lei. A pressão, tanto de grupos de esquerda para o veto quanto de grupos conservadores para a sanção, deve aumentar exponencialmente nos próximos dias.
O Rio de Janeiro, berço político do bolsonarismo, mais uma vez se coloca no centro das atenções nacionais. Resta saber: o dia 21 de março será lembrado apenas como o início do outono ou se tornará o marco anual da força da direita na Cidade Maravilhosa?






