
Carla Zambelli Renuncia. Fim da Linha ou Estratégia?
Carla Zambelli Entrega Carta de Renúncia e Abandona Mandato em Meio ao Caos.
O domingo (14) em Brasília amanheceu com ares de despedida e tensão. Em um movimento que pegou até mesmo seus aliados de surpresa, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) protocolou seu pedido de renúncia ao mandato. O documento foi entregue diretamente à presidência da Câmara, encerrando um dos ciclos mais polêmicos e barulhentos da recente história política nacional.
A Carta: Saúde ou Medo?
Na nota oficial divulgada em suas redes sociais, Zambelli cita motivos de saúde e a necessidade de “cuidar da alma e da família” após anos de “perseguição implacável”. A deputada menciona o diagnóstico de Síndrome de Burnout e problemas cardíacos agravados pela recente prisão de seu líder político, Jair Bolsonaro.
“Combati o bom combate, mas meu corpo pede trégua. Saio de cabeça erguida para não sucumbir diante da injustiça”, diz um trecho da carta, utilizando a linguagem bíblica para se conectar com sua base cristã.
A Verdade dos Bastidores: A Sombra da Cassação
Porém, nos bastidores do Congresso, a leitura é fria e pragmática: Zambelli renunciou para não ser cassada. Com processos acumulados no Conselho de Ética e a perda de capital político após a prisão do “Capitão”, a cassação era dada como certa para o início de 2026.
Ao renunciar antes da abertura final do processo de cassação, Zambelli tenta uma manobra desesperada para salvar seus direitos políticos. Se fosse cassada pelos pares, ficaria inelegível por 8 anos (Lei da Ficha Limpa). Saindo por conta própria, ela teoricamente preserva a chance de tentar voltar à política no futuro, embora juristas divirjam se a manobra funcionará desta vez.
O Efeito Dominó no Bolsonarismo
A saída de Zambelli é simbólica. Ela era a “escudeira fiel”, a mulher que empunhou arma no meio da rua às vésperas de uma eleição. Sua retirada de cena, logo após Bolsonaro ser preso e alegar problemas mentais, reforça a narrativa de que o núcleo duro da direita está desmoronando psicológica e politicamente.
Para o eleitor conservador, fica a sensação de orfandade. O navio parece estar afundando e os oficiais estão pulando no mar. Quem assumirá o vácuo de liderança? A bancada evangélica tenta se reorganizar, mas o silêncio de Zambelli daqui para frente soará mais alto do que seus gritos no plenário.